sábado, 22 de novembro de 2014

Senhor



Chamam o certo de errado e o errado de certo. Ao bem chamam mal e ao mal, bem. Invertem valores, com todo desrespeito. E zombam descaradamente.

Disseste que teríamos aflições. Que tivéssemos ânimo. Que venceste o mundo. As aflições, disto sabemos, são muitas, não mentiste. O bom ânimo é um bem – muito custoso. E o mundo? Estamos nele. Por passagem, e como disseste, não somos dele. Passamos por ele para chegarmos onde estás.

Disseste que nos enviaria para o meio de lobos. Este mundo é de lobos? São os que chamam o certo de errado e o bem de mal? Que perigo passamos! Tens propósitos conosco no meio deles? Certamente tu tens me consolado porque tudo isto vem de ti. É a tua maneira de lidar com a gente.

Senhor, “sou pobre e necessitado”, mas espero em ti, porque tu cuidas de mim. Não posso cansar-me de esperar em ti. Certamente vais socorrer-me em minha probreza e dar-me de comer, porque estou com fome e com sede.

Faz brotar desta rocha seca e quente a água de que preciso! Faz sarar meus pés feridos deste deserto sem vida com águas dos teus tanques!, com águas dos teus mananciais! Faz-me beber! Faz-me ver a terra que me prometeste! Para que os que vêm depois de mim também bebam, também sarem, também vejam! E chegue a hora em que a gente apenas recorde do que passou, e que tudo ficou… numa agradável lembrança.

Isac Rodrigues

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